É
comum se ouvir pelos confins da internet que o feminismo radical é
“materialista”, é fácil duvidar dessa afirmação quando a
frase seguinte é “se você não é radical você é liberal e
idealista” ignorando as próprias feministas marxistas que a
princípio seriam aquelas a quem o termo mais se aproximaria. Nota-se
que feministas radicais mal sabem o que significa materialismo,
provavelmente a ideia vem de um senso comum, tanto referente ao
materialismo quanto ao próprio marxismo.
Quando
os marxistas falam de classe, de condições socioeconômicas e
coisas afins, nos passa inicialmente uma impressão de que estão
falando de coisas objetivas que não dependem de interpretações
subjetivas e teorias abstratas para fazer-se a análise. Ora, classe
é algo concreto, você nasce em determinada classe, em determinado
bairro, recebe determinado salário para viver, veste determinadas
roupas, tudo isso pode ser quantificado e essa quantificação
naturalmente nos passa uma sensação de certa segurança e certeza
sobre o nosso objeto de estudo. Esse senso comum que liga
quantificação ao materialismo faz com que pessoas que queiram
transparecer uma atmosfera de “cientificidade” ou “objetividade”
usem o termo materialismo sem entender exatamente o que ele
significa, como por exemplo dizer que a sua teoria é “materialista”
pois ela não se preocupa com aspectos considerados subjetivos da construção da
opressão baseada em gênero, pois a sua teoria vê que a opressão
de gênero está relacionada a aspectos biológicos e concretos que
não são (supostamente) passíveis de múltiplas interpretações.
Essa
noção de materialismo peca em dois sentidos, primeiro que nem tudo
que não seja quantitativo deixa de ser materialista. Existem coisas
na natureza em que o ser humano não pode simplesmente fazer uma
análise quantitativa, por exemplo a biologia que estuda a anatomia
animal, é um trabalho puramente qualitativo e nem por isso deixa de
ser materialista. Nesse mesmo sentido nem tudo que não podemos
“ver” também deixa de ser materialista, o próprio Marx
utilizava-se da noção de superestrutura, que seriam aspectos da
consciência social, política, filosófica e cultural de uma
sociedade[1]. Muitos podem chamar estas questões de “subjetivas” e
“imateriais”, mas como veremos adiante para o materialismo não
existe o “imaterial”, a cultura, a socialização, a forma com
que as pessoas veem e entendem o mundo, como se comportam entre
outras coisas não são “imateriais”. O que nos leva diretamente
ao segundo problema desta visão sobre o materialismo; materialismo
não tem haver com “quantificação”, ele é toda uma filosofia
que inclusive não se resume a Marx e Engels.
A história do materialismo remonta há mais de 400 a.c com Demócrito e sua
concepção de atomo, que seriam as partículas que compõem tudo
que existe. Mesmo que seu modelo estivesse errado ele expressa a
base central do materialismo, de
que o mundo é, por sua natureza, algo material;
de que os múltiplos e variados fenômenos do mundo constituem
diversas formas e modalidades da matéria em movimento, e que a concepção materialista do mundo se limita simplesmente a conceber a natureza tal como é, sem nenhuma espécie de acréscimos estranhos[2]
nesse
sentido em oposição ao idealismo que acreditava que o mundo
existia apenas em nossa consciência, e que de certa forma a mera
mudança da nossa consciência sobre o mundo mudaria o mesmo. O
idealismo vem da noção de “ideal”, temos primeiramente Platão
com seu “mundo das ideias” indo mais modernamente a Kant,
Descartes e Hegel.
Os idealistas tem em comum a ideia de que existe uma “verdade” e um
“mundo ideal” a que os homens não possuem, a nossa atual visão
sobre tudo que nos cerca seria uma distorção desse mundo ideal e o
acesso a ele só seria possível através do desenvolvimento da
razão, por isso o idealismo está também associado ao racionalismo
de certa forma (apesar de que nem todos os racionalistas eram
idealistas) pelo fato de que os racionalistas acreditavam que os
homens (literalmente homens, tendo em vista que mulheres não tinham
vez) possuíam conhecimentos inatos apesar de “adormecidos”, em
contraposição temos Locke
que era materialista e empirista, dizendo que o homem era uma tábula rasa.
Aqui
já percebemos outro erro grave em chamar qualquer vertente do
feminismo que não seja radical de idealista, todas
as grandes vertentes do feminismo dizem que as consequências de nossos
comportamentos em sociedade derivam de uma socialização massiva em
relação a nossa forma de ver e entender o mundo, isso significa que
existe um processo em que o mundo que nos cerca (mesmo que sendo
composto e criado por seres humanos) é objetivo a ponto de afetar as
nossas capacidades cognitivas psicobiológicas, é uma hipótese
totalmente materialista. Seria idealismo dizer por exemplo que nós
agimos como agimos por causa de qualquer essência “mágica”
alheia ao mundo material, e
que nossas ações são uma incompletude de uma ação ideal que só
podemos atingir por meio de algum tipo de iluminação.
Então mesmo que por exemplo
surjam pessoas dizendo “eu ajo assim por que eu possuo
predisposições genéticas” ou quando um
LGBTQ
dize que “eu nasci
assim”, eles não estão apelando para essências mágicas, eles
estão falando que existem condições materiais (biogenéticas) que
influenciariam na sua maneira de ser e existir. Entretendo,
idealismo seria: “só existe homem e mulher, isso é biologia, o
resto é aberração” (aberração
leia-se uma curva fora do
“ideal”, pois o ideal diferente do material não pode ser alterado).
Portanto,
a maioria dos feminismos como
o negro, o classista, transfeminismo, entre outros que se baseiam em
interseccionalidade são materialistas,
pois não
se baseia em noções teleológicas e em um estado ideal de mundo, se
baseia em concepções onde o mundo material existe de tal maneira
que molda a forma com que as pessoas agem e pensam. Embora
existam poucas vertentes feministas que podemos classificar como
idealistas, por exemplo o feminismo cultural, que se trata(va) de
conceber e valorizar a “natureza” e “essência” feminina,
como se o comportamento atual das mulheres não fossem vindos de uma
condição socializadora e sim uma “essência” inata.
Ironicamente o feminismo cultural é uma vertente dentro do feminismo
radical.
Voltando ao questionamento inicial se o feminismo radical é "materialista", é válido dizer que essa discussão sobre materialismo x idealismo não existe dentro das áreas das ciências no geral, sendo arrastadas até aqui por discussões filosóficas e por algumas áreas da esquerda mais conservadoras que cometem os mesmos erros de confundir materialismo com quantificação. A ciência se baseia na ideia de que o mundo existe independente da nossa consciência, e que podemos entender e interagir com o mundo através dos nossos sentidos, o mundo é uma realidade tal que os experimentos científicos partem da premissa de que podem ser replicados por qualquer pessoa. Mas da mesma forma que possuem aqueles que repudiam questões ditas "subjetivas" e "qualitativas" existem aqueles que também criticam veementemente a visão materialista do mundo por esta supostamente seriam um "empobrecimento" do mesmo. E esse é o início da história do pós-estruturalismo, que está atualmente mais conhecido como "pós-modernismo"(embora ambos os termos não sejam necessariamente sinônimos).
O pós-estruturalismo vem como uma crítica ao estruturalismo (e também a outras correntes como positivismo e funcionalismo). O estruturalismo vinha sendo construído sob uma perspectiva de se aplicar e aproximar as ciências sociais das ciências biológicas, tanto que não é difícil até a década de 50 encontrar textos e autores que entendiam que a antropologia e sociologia eram uma área da biologia, como dizia Mauss a sociologia é, como a psicologia humana, uma parte daquela parte da biologia que é a antropologia, isto é, o conjunto de ciências que consideram o homem como ser vivo, consciente e sociável [3]. Além disto, esta tendência científica de aproximar as ciências sociais com as biológicas (que na época era o chamado neopositivismo, ou positivismo lógico), criava uma predisposição em entender o mundo como um todo, em criar uma "teoria de tudo" da humanidade que não dependesse apenas da história, mas também de regras e leis que seriam "universais".
Nesta época as tendências nas lutas contra opressões, principalmente a opressão do homem em relação a mulher, eram baseadas em entender as origens, causas e como combater as desigualdades, uma visão que coincide bem com as concepções científicas da época que via o mundo como uma relação de causa e efeito, e buscava solucionar problemas tendo uma visão de combater as "patologias sociais". Essa visão metodológica era compartilhada tanto pelas lutas femininas na antiga URSS e no bloco socialista no geral quanto pelas sufragistas do lado mais liberal, a rixa ideológica entre ambas as correntes seria as causas e as formas de combate das desigualdades, enquanto de um lado existia uma visão classista baseada em mudanças profundas revolucionárias[4], do outro tinha-se uma visão inclusionista baseada em mudanças através de meios jurídicos e constitucionais.
No meio de todo esse contexto tivemos a segunda guerra mundial que causou grandes impactos na forma como o ser humano enxerga o outro, e claro não levou muito tempo até que os códigos de ética científicos fossem mais duros e isso de certa forma também afetou as ciências humanas. Muitos apontaram que a visão neopositivista e "materialista" da sociedade, eram parte das responsáveis pelas atrocidades que haviam acontecido na primeira metade do século XX, pois desumanizava o ser humano e que a visão universalista era uma forma de etnocentrismo, pois não considerava as mais diversas formas de se entender o mundo, e o mundo era relativo a cultura e aspectos subjetivos de quem o olhava, seria uma forma de "neoidealismo", pois não considerava que a ciência necessariamente fosse a melhor forma de entender os fenômenos naturais e sociais, embora todos os que diziam isso nunca abrisse mão do título de "cientista".
E esse era o pós-estruturalismo, uma corrente que surgiu em meados da década de 60 que não se preocupava mais em explicar o mundo, e sim na forma com que o ser humano entende o mundo. Surge então o que é conhecido como "segunda onda" do feminismo, que vem trazendo novas concepções sobre gênero e formas de ação, o feminismo radical surgiu aqui. Antes os questionamentos sobre gênero giravam em torno da origem e causa das desigualdades entre homens e mulheres, agora o questionamento era "o que é ser mulher?"
A forma de ação política das feministas radicais era basicamente "os fins justificam os meios", temos por exemplo a feminista radical e catolica Janice Reymond, se uniu a sua igreja para pressionar o governo a retirar Fundos para o cuidado de pessoas trans na década de 80[5], fundo esse que atendia inclusive populações pobres e marginalizadas, ou Andrea Dworkin e Catharine Mackinnon se unindo a políticos conservadores da comunidade evangélica pelo fim da pornografia[6]. Feministas radicais também sempre tentaram fazer uma ponte entre gênero e classe, para Mackinnon por exemplo "a sexualidade é para o feminismo o que o trabalho é para o marxismo"[7]. Se apropriam do materialismo marxista quando convém, pois para a própria Catharine o feminismo radical era "pós-marxista"[8], o que reflete bem o porque de praticamente ser nula as pautas sobre classe das feministas radicais dos anos 60 a 80. Sempre voltadas para pautas que se encaixavam bem nos problemas que afetavam apenas as mulheres brancas (geralmente) classe média dos Estados Unidos.
Atualmente temos feministas radicais que continuam se apropriando do termo marxista, fazendo revisionismo histórico como se as feministas radicais possuíssem uma visão classista interdisciplinar com outros problemas sofridos por mulheres, mas é só ver sob que perspectivas rondavam a militância das radicais nas décadas de 70, voltadas para tirar o pouco dos direitos de pessoas trans, contra pornografia e prostituição (com uma visão totalmente autoritária sem nenhum diálogo com a população atingida, mas dialogando com conservadores evangélicos) e sempre com um forte viés proibicionista e legalista, forte herança das sufragistas. Ilustrar o feminismo radical como se fosse uma teoria anarquista ou socialista preocupada com classes sociais é uma mera revisão histórica do que realmente foi o feminismo radical.
O feminismo radical surge com o pós-estruturalismo perguntando-se o que era ser mulher e se apropriando do conceito de gênero que inicialmente foi feito para tentar entender a transexualidade[9] sendo transformado por elas em uma ferramenta para destilar ódio a pessoas trans. Do ponto de vista marxista, o qual elas insistem em tomar o "materialismo", sua base teórica e prática não é materialista, são "pós-marxistas" que nunca se preocuparam com questões de classe, raça e xenofobia (estas duas últimas sendo dois grandes problemas nos EUAs nas décadas de 60,70 e 80). Suas práticas sempre colocavam o que elas achavam ser "o ideal" acima de qualquer diálogo, sempre adotando as mais escrúpulas medidas para atingir seus objetivos.
A segunda onda teve seu fim em meados da década de 80, com o surgimento da terceira, que seria uma forma de superar as visões conservadoras e autoritárias das feministas radicais, vemos como após o enfraquecimento da segunda onda vieram pautas que eram mais inclusivas a LGBTs, Negras, pautam envolvendo xenofobia contra mulherees, e trabalhadoras, o que reflete tudo o que faltava no feminismo radical, e como de materialista ele não tinha nada.
Se vierem utilizar do argumento "não somos materialistas no sentido marxista" (mesmo utilizando-se da analogia gênero-classe), basta olhar o quão seus olhares para todos os estudos científicos sendo produzidos sobre gênero e transexualidade nas mais diversas áreas, desde antropologia até genética são sempre negativos, achando supostas incongruências em todos os estudos apresentados. O nome disso é negacionismo, quanto as bases das suas ideias e concepções de mundo são conflitantes com a realidade, e você só pode negar. Para elas é mais fácil crer que existe uma conspiração global que envolvem estados, universidades, áreas farmacólogicas e seja lá o que for para implantar uma cultura "trans" do que em anos de estudos sobre temas. Ainda negando a importância de outras formas de feminismos que abarquem outras questões, como das mulheres pretas, asiáticas, trabalhadoras, etc, o radfem serviria para "todas". Assim sendo, por colocar uma ideia acima da realidade de milhões de mulheres, o feminismo radical não pode ser considerado materialista.
Voltando ao questionamento inicial se o feminismo radical é "materialista", é válido dizer que essa discussão sobre materialismo x idealismo não existe dentro das áreas das ciências no geral, sendo arrastadas até aqui por discussões filosóficas e por algumas áreas da esquerda mais conservadoras que cometem os mesmos erros de confundir materialismo com quantificação. A ciência se baseia na ideia de que o mundo existe independente da nossa consciência, e que podemos entender e interagir com o mundo através dos nossos sentidos, o mundo é uma realidade tal que os experimentos científicos partem da premissa de que podem ser replicados por qualquer pessoa. Mas da mesma forma que possuem aqueles que repudiam questões ditas "subjetivas" e "qualitativas" existem aqueles que também criticam veementemente a visão materialista do mundo por esta supostamente seriam um "empobrecimento" do mesmo. E esse é o início da história do pós-estruturalismo, que está atualmente mais conhecido como "pós-modernismo"(embora ambos os termos não sejam necessariamente sinônimos).
O pós-estruturalismo vem como uma crítica ao estruturalismo (e também a outras correntes como positivismo e funcionalismo). O estruturalismo vinha sendo construído sob uma perspectiva de se aplicar e aproximar as ciências sociais das ciências biológicas, tanto que não é difícil até a década de 50 encontrar textos e autores que entendiam que a antropologia e sociologia eram uma área da biologia, como dizia Mauss a sociologia é, como a psicologia humana, uma parte daquela parte da biologia que é a antropologia, isto é, o conjunto de ciências que consideram o homem como ser vivo, consciente e sociável [3]. Além disto, esta tendência científica de aproximar as ciências sociais com as biológicas (que na época era o chamado neopositivismo, ou positivismo lógico), criava uma predisposição em entender o mundo como um todo, em criar uma "teoria de tudo" da humanidade que não dependesse apenas da história, mas também de regras e leis que seriam "universais".
Nesta época as tendências nas lutas contra opressões, principalmente a opressão do homem em relação a mulher, eram baseadas em entender as origens, causas e como combater as desigualdades, uma visão que coincide bem com as concepções científicas da época que via o mundo como uma relação de causa e efeito, e buscava solucionar problemas tendo uma visão de combater as "patologias sociais". Essa visão metodológica era compartilhada tanto pelas lutas femininas na antiga URSS e no bloco socialista no geral quanto pelas sufragistas do lado mais liberal, a rixa ideológica entre ambas as correntes seria as causas e as formas de combate das desigualdades, enquanto de um lado existia uma visão classista baseada em mudanças profundas revolucionárias[4], do outro tinha-se uma visão inclusionista baseada em mudanças através de meios jurídicos e constitucionais.
No meio de todo esse contexto tivemos a segunda guerra mundial que causou grandes impactos na forma como o ser humano enxerga o outro, e claro não levou muito tempo até que os códigos de ética científicos fossem mais duros e isso de certa forma também afetou as ciências humanas. Muitos apontaram que a visão neopositivista e "materialista" da sociedade, eram parte das responsáveis pelas atrocidades que haviam acontecido na primeira metade do século XX, pois desumanizava o ser humano e que a visão universalista era uma forma de etnocentrismo, pois não considerava as mais diversas formas de se entender o mundo, e o mundo era relativo a cultura e aspectos subjetivos de quem o olhava, seria uma forma de "neoidealismo", pois não considerava que a ciência necessariamente fosse a melhor forma de entender os fenômenos naturais e sociais, embora todos os que diziam isso nunca abrisse mão do título de "cientista".
E esse era o pós-estruturalismo, uma corrente que surgiu em meados da década de 60 que não se preocupava mais em explicar o mundo, e sim na forma com que o ser humano entende o mundo. Surge então o que é conhecido como "segunda onda" do feminismo, que vem trazendo novas concepções sobre gênero e formas de ação, o feminismo radical surgiu aqui. Antes os questionamentos sobre gênero giravam em torno da origem e causa das desigualdades entre homens e mulheres, agora o questionamento era "o que é ser mulher?"
A forma de ação política das feministas radicais era basicamente "os fins justificam os meios", temos por exemplo a feminista radical e catolica Janice Reymond, se uniu a sua igreja para pressionar o governo a retirar Fundos para o cuidado de pessoas trans na década de 80[5], fundo esse que atendia inclusive populações pobres e marginalizadas, ou Andrea Dworkin e Catharine Mackinnon se unindo a políticos conservadores da comunidade evangélica pelo fim da pornografia[6]. Feministas radicais também sempre tentaram fazer uma ponte entre gênero e classe, para Mackinnon por exemplo "a sexualidade é para o feminismo o que o trabalho é para o marxismo"[7]. Se apropriam do materialismo marxista quando convém, pois para a própria Catharine o feminismo radical era "pós-marxista"[8], o que reflete bem o porque de praticamente ser nula as pautas sobre classe das feministas radicais dos anos 60 a 80. Sempre voltadas para pautas que se encaixavam bem nos problemas que afetavam apenas as mulheres brancas (geralmente) classe média dos Estados Unidos.
Atualmente temos feministas radicais que continuam se apropriando do termo marxista, fazendo revisionismo histórico como se as feministas radicais possuíssem uma visão classista interdisciplinar com outros problemas sofridos por mulheres, mas é só ver sob que perspectivas rondavam a militância das radicais nas décadas de 70, voltadas para tirar o pouco dos direitos de pessoas trans, contra pornografia e prostituição (com uma visão totalmente autoritária sem nenhum diálogo com a população atingida, mas dialogando com conservadores evangélicos) e sempre com um forte viés proibicionista e legalista, forte herança das sufragistas. Ilustrar o feminismo radical como se fosse uma teoria anarquista ou socialista preocupada com classes sociais é uma mera revisão histórica do que realmente foi o feminismo radical.
O feminismo radical surge com o pós-estruturalismo perguntando-se o que era ser mulher e se apropriando do conceito de gênero que inicialmente foi feito para tentar entender a transexualidade[9] sendo transformado por elas em uma ferramenta para destilar ódio a pessoas trans. Do ponto de vista marxista, o qual elas insistem em tomar o "materialismo", sua base teórica e prática não é materialista, são "pós-marxistas" que nunca se preocuparam com questões de classe, raça e xenofobia (estas duas últimas sendo dois grandes problemas nos EUAs nas décadas de 60,70 e 80). Suas práticas sempre colocavam o que elas achavam ser "o ideal" acima de qualquer diálogo, sempre adotando as mais escrúpulas medidas para atingir seus objetivos.
A segunda onda teve seu fim em meados da década de 80, com o surgimento da terceira, que seria uma forma de superar as visões conservadoras e autoritárias das feministas radicais, vemos como após o enfraquecimento da segunda onda vieram pautas que eram mais inclusivas a LGBTs, Negras, pautam envolvendo xenofobia contra mulherees, e trabalhadoras, o que reflete tudo o que faltava no feminismo radical, e como de materialista ele não tinha nada.
Se vierem utilizar do argumento "não somos materialistas no sentido marxista" (mesmo utilizando-se da analogia gênero-classe), basta olhar o quão seus olhares para todos os estudos científicos sendo produzidos sobre gênero e transexualidade nas mais diversas áreas, desde antropologia até genética são sempre negativos, achando supostas incongruências em todos os estudos apresentados. O nome disso é negacionismo, quanto as bases das suas ideias e concepções de mundo são conflitantes com a realidade, e você só pode negar. Para elas é mais fácil crer que existe uma conspiração global que envolvem estados, universidades, áreas farmacólogicas e seja lá o que for para implantar uma cultura "trans" do que em anos de estudos sobre temas. Ainda negando a importância de outras formas de feminismos que abarquem outras questões, como das mulheres pretas, asiáticas, trabalhadoras, etc, o radfem serviria para "todas". Assim sendo, por colocar uma ideia acima da realidade de milhões de mulheres, o feminismo radical não pode ser considerado materialista.
[1] Karl Marx, Contribuições para a Crítica da Economia Política.
[2] Marx e Engels, Obras escolhidas.
[3] Marcel Mauss, Relações reais e práticas entre a psicologia e a sociologia.
[4] Wendy Goldman, Mulher, Estado e Revolução.
[5] Terfs & Trans Healthcare: http://theterfs.com/terfs-trans-healthcare/
[6] The Politics of Pornography: https://www.nytimes.com/1990/03/11/books/l-the-politics-of-pornography-302090.html
[7] Catharine Mackinnon, Feminism, Marxism, Method, and State: Towoard Feminist Jurisprudence.
[8] Catharine Mackinnon, Feminism, Marxism, Method, and State: An Agend for Theory
[9] Richard Udry, The Nature of Gender.
[2] Marx e Engels, Obras escolhidas.
[3] Marcel Mauss, Relações reais e práticas entre a psicologia e a sociologia.
[4] Wendy Goldman, Mulher, Estado e Revolução.
[5] Terfs & Trans Healthcare: http://theterfs.com/terfs-trans-healthcare/
[6] The Politics of Pornography: https://www.nytimes.com/1990/03/11/books/l-the-politics-of-pornography-302090.html
[7] Catharine Mackinnon, Feminism, Marxism, Method, and State: Towoard Feminist Jurisprudence.
[8] Catharine Mackinnon, Feminism, Marxism, Method, and State: An Agend for Theory
[9] Richard Udry, The Nature of Gender.
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